O Eletroencefalograma não é um exame obrigatório e nem de rotina no Autismo

 


     
A epilepsia é uma doença frequente na criança com autismo e atinge entre 6 e 27% das crianças que possuem autismo.

    A maioria das epilepsias na criança com autismo são facilmente controladas com medicamentos para epilepsia e a evolução da epilepsia costuma ser satisfatória na maioria dos casos.

    O maior fator de risco para uma criança com autismo ter epilepsia é a deficiência intelectual. Quanto menor o QI da criança, maior a chance dela ter epilepsia junto com autismo.


    O eletroencefalograma não ajuda em nada no diagnóstico do autismo (o diagnóstico é clínico baseado na entrevista, no exame e avaliação do paciente), inclusive pode até atrapalhar e causar angústia na família e ao neurologista que está atendendo o paciente. O motivo para isso é que 30% dos pacientes com autismo possuem anormalidades no eletroencefalograma, porém são pacientes que nunca tiveram crises epilética e nunca as terão no futuro. Além disso, quando o eletroencefalograma mostra alterações, a família fica bastante angustiada e preocupada, podendo até mesmo questionar a necessidade de usar medicamentos mesmo que a criança não tenha epilepsia de fato.

    O significado dessas alterações na prática do neurologista tem sido motivo de controvérsias, e seu uso tem implicações importantes apenas para fins de pesquisas e estudo. Não faz sentido pedir rotineiramente eletroencefalograma para crianças com autismo na consultório público nem no privado.

    Também não existe nenhuma evidência científica do o uso de droga antiepiléptica em crianças com autismo para melhorar o desempenho cognitivo. A tentativa de limpar o eletroencefalograma com objetivo de normalizar o traçado do eletroencefalograma não ajuda a normalizar os sintomas do autismo e ainda pode causar efeito colaterais.

    Portanto a conclusão é que o eletroencefalograma não é um exame obrigatório e de rotina na criança com autismo. A exceção vale se a criança tiver tido crises convulsivas prévias. Solicitar eletroencefalograma rotineiramente para a criança com autismo gera custo desnecessário para a família do paciente e pode trazer angústia para os familiares.


Instagram Dr Thiago Palmeira





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